domingo, 24 de setembro de 2017

Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos, cinco meses e vinte e sete dias de existência.


Leia nesta edição:

Editorial – Tempo livre de verdade.

Coluna Ladeira da Memória – Pedro J. Bondaczuk, crônica, “A Ilha da Solidão”.

Coluna Direto do Arquivo – Fernando Mariz Masagão, crônica, “Devaneios otimistas de um pessimista inveterado”.

Coluna Clássicos – Cecília Meirelles, crônica, “A arte de ser feliz”.

Coluna Porta Aberta – José Ribamar Bessa Freirei, artigo, “O sumiço de três alemães na floresta amazônica”.

Coluna Porta Aberta – Frei Betto, artigo, “Ilhas do tesouro”.


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Livros que recomendo:

Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbett Oliveira” (Fortuna crítica) – Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com

Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Águas de presságio”Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br

Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.

A sétima caverna”Harry Wiese – Contato: wiese@ibnet.com.br

Rosa Amarela”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Acariciando esperanças”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Cronos e Narciso” – Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br

Lance Fatal” – Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br




Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk.As portas sempre estarão abertas para a sua participação.



Tempo livre de verdade


O que é, na sua concepção, dispor de “tempo livre”, amável leitor? Afinal, a falta de momentos em que não haja obrigações a cumprir é reclamada por quase todos, até pelos que não fazem nada o dia todo, por todas as semanas, meses e até anos da sua vida.

Há muita gente assim, que é pior do que aquelas plantas parasitas, que necessitam de hospedeiros para sobreviver. Alguns, é verdade, são ociosos em decorrência de incapacidade física e/ou mental. Muitos, todavia, são vagabundos de carteirinha por convicção, por absoluta opção pessoal.

As pessoas verdadeiramente ativas, que têm ideais, ambições, projetos e sonhos e que saem em busca da concretização de tudo isso, reclamam que não dispõem do tal “tempo livre”. Estão enredadas em imensas teias de compromissos e obrigações, que não lhes dão, sequer, tempo para respirar.

Quem se planeja devidamente, contudo, consegue multiplicar as horas de um dia e fazer muito, sem cansaços ou estresse. São raros os que agem assim? Nem tanto! Conheço muitos que se desdobram e fazem as coisas com alegria e naturalidade.

Há compromissos tolos que assumimos, muitas vezes impulsivamente, apenas para sermos simpáticos aos que no-los impõem e que são verdadeiros ralos por onde se escoa nosso preciosíssimo tempo. E ele tende a ser irrecuperável ou a nos impor sacrifícios inusitados para queimar etapas, na tentativa de recuperar o que poderíamos ter poupado.

Sou um desses sujeitos que detestam dizer não aos outros e que, por isso, me vejo, volta e meia, metido em armadilhas das quais não consigo escapar. Vou a festas que não gostaria e não precisaria ir, a eventos que não me dizem respeito e que nada têm a ver com meus gostos e minhas atividades, faço favores dos quais nunca terei retribuição e sequer um formal agradecimento e vai por aí afora.

A idade e a experiência, contudo, vêm me tornando mais atento a esse desperdício tolo de tempo, fazendo com que seja menos freqüente. Por conseqüência, já venho conseguindo pôr em andamento alguns projetos que eram de longo prazo, mas que chegou o momento de executá-los ou de abandoná-los de vez (para minha extrema frustração, caso o fizesse).

Um deles, por exemplo, é a redação das memórias, coisa que cheguei a duvidar que faria, mas que venho fazendo com afinco e regularidade. Elas irão contar alguma coisa para alguém? Não sei! Nunca sabemos se nossos atos, ou quais deles, serão eficazes ou não passarão, também, a entrar no rol das coisas que se caracterizam como perda de tempo. Aqui conta a questão da confiança.

Confio no meu talento de escritor e na capacidade de observação que desenvolvi ao longo dos anos. Por isso, estou convicto que minhas memórias serão atrativas, vão redundar em um ou mais livros e irão servir de exemplo a muitas pessoas que venham a passar por idênticos caminhos que passei. Certeza, certeza mesmo, porém, não tenho nenhuma. Ninguém tem e de nada.

Não respondi, todavia, a pergunta que lhe fiz no início destas elucubrações: o que é tempo livre? É o repouso? É o lazer? Ou são aqueles raros momentos de ócio, de explícita preguiça, com que nos brindamos em determinados domingos e feriados? Não é nada disso.
Deixo a resposta para esta questão a alguém muito mais experiente, gabaritado e habilitado do que eu: ao escritor George Bernard Shaw que, entre tantas outras coisas, conquistou um Prêmio Nobel de Literatura, o que, por si só, o qualifica e o credencia a opinar sobre o que quiser: “O tempo livre não significa repouso. O repouso, como o sono, é obrigatório. O verdadeiro tempo livre é apenas a liberdade de fazermos o que queremos, mas não de permanecermos no ócio”.

Pois é, meus amigos, é isso aí. Querem resposta mais clara, direta, objetiva e convincente do que esta? Tempo livre não é, nem de longe, o tempo perdido em ociosidade e preguiça. É isso o que faço neste momento, ao escrever estas considerações que sequer sei se alguém vai ler, quanto mais apreciar.

Ninguém, absolutamente ninguém me impôs este texto, ao contrário de tantos outros, escritos para atender obrigações (não raro contratuais). Ao escrevê-lo, contei com o desejável “tempo livre”. Creio que a questão ficou mais do que respondida (com a providencial ajuda, claro, de um decano da Literatura).

Boa leitura!


O Editor.

Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk    
A Ilha da Solidão

* Por Pedro J. Bondaczuk

Remexendo velhos papéis, dia desses, eis que topei com o texto de um comentário que fiz, em 2 de junho de 1982, pelos microfones potentes e prestigiosos da então Rádio Educadora de Campinas (atual Rádio Bandeirantes de Campinas), a propósito da batalha decisiva, que estava prestes a ser travada pelas tropas argentinas e britânicas, pela posse do Arquipélago das Malvinas (que para os ingleses sempre se chamou e é chamado ainda de “Ilhas Falklands”).

Na ocasião, nos anos finais da ditadura militar no Brasil, falar de política, publicamente, já era por si só temeridade. Imaginem fazer comentários a respeito nos meios de comunicação e, principalmente, através do rádio, cuja concessão poderia ser cassada a qualquer momento e a emissora fechada! Exigia-se cautela, responsabilidade e... alta dose de sorte para não se comprometer e não ter problemas com a censura. E, pior, para não se indispor com os agentes da ditadura.

Na época, eu era um dos produtores (o subeditor) do jornal das 18 horas da emissora e tinha a responsabilidade de, em cinco dias da semana, de segunda a sexta-feira, apresentar um comentário diário, de cinco minutos de duração, sobre o principal fato do dia, tanto da cidade de Campinas, quanto do Brasil e do mundo, e nas áreas da política e da economia. Era um desafio e tanto! Exerci essa atividade por dois anos consecutivos, o que comprova, por si só, que me saí bem da empreitada.

Vivíamos tempos difíceis, dificílimos e tensos na ocasião. Tive a felicidade, porém, de atravessá-los incólume, sem nunca ser vetado pela censura e nem ser convocado (o que poderia custar-me ou anos de prisão ou até a perda da vida) a dar explicações em algum quartel pelas opiniões emitidas, que poderiam ser consideradas, facilmente, “subversivas”, mesmo que não fossem. E não eram de fato. Era jornalismo puro. Valeram-me, na época, a devida isenção jornalística que sempre se requer de um profissional de imprensa, atendo-me, rigorosamente, aos fatos, mesmo emitindo opiniões a respeito e... sobretudo, sorte. Muita sorte.

Tomo a liberdade de reproduzir, abaixo, o citado comentário, de há 35 anos, não por seu eventual valor literário (embora ache que tenha algum), mas por se tratar de um documento de um dos fatos mais dramáticos daquela época, caracterizada, por si só, por dramaticidade e riscos, em que não somente o Brasil, mas o Planeta, viviam sob enorme tensão. O mundo, por exemplo, testemunhava o auge da Guerra Fria, em que as superpotências de então – Estados Unidos e União Soviética, lideradas pelos “falcões” Ronald Reagan e Leonid Brezhnev, respectivamente – levavam ao grau máximo a irresponsável e perdulária corrida armamentista nuclear. Quanto dinheiro foi jogado fora na produção massiva dessas armas! Qualquer “faísca”, qualquer fato aleatório, mesmo que aparentemente inocente, poderia, então, deflagrar a provavelmente definitiva e última Terceira Guerra Mundial. Escrevi e li através do microfone da emissora o seguinte texto, naquele já tão longínquo 2 de junho de 1982:

“Argentinos e britânicos já combatem, praticamente, nos arrabaldes da capital das Ilhas Malvinas. Travam dura luta, que em alguns momentos chega a ser corpo a corpo, a apenas dez quilômetros dessa minúscula cidade, na verdade mero vilarejo, com não mais de três mil habitantes. Nos últimos sessenta dias, essa localidade, até agora desconhecida no mundo, trocou três vezes de nome.

Era Port Stanley, até o dia 2 de abril, quando tropas argentinas ocuparam-na, dando início ao atual conflito. Dessa data, até 5 de abril, foi chamada de Puerto Belgrano, em homenagem a um militar argentino do século passado. Finalmente, foi rebatizada para Puerto Argentino. Agora, esse vilarejo está a pouco, muito pouco, de voltar às mãos e nome primitivos. E de ser administrado por aqueles que o ocupavam nos últimos 149 anos, até que a atual junta militar argentina desse início à atual aventura.

A batalha que se desenvolve em torno desta aldeia, contudo, está fadada a entrar para a história da insanidade política deste século. O desalento, expressado, hoje, pelo secretário-geral das Nações Unidas, Javier Perez de Cuellar, quanto a uma saída diplomática de última hora, que evite o aguardado confronto decisivo, é sintomático. O líder da ONU admitiu, tacitamente, o fracasso de todas as suas gestões para um cessar-fogo. Disse não acreditar mais que a trégua ainda seja possível. Para ele, as posições inflexíveis, tanto dos britânicos, quanto dos argentinos, inviabilizam qualquer entendimento.

De Londres, a primeira-ministra Margaret Thatcher, como que querendo se desculpar, ou se justificar antecipadamente perante as famílias dos soldados, fez sua derradeira oferta à Argentina. Afirmou, em pronunciamento pela televisão, que ordenará um cessar-fogo imediato, desde que o governo argentino se comprometa a retirar todas as suas tropas do arquipélago invadido em um prazo máximo de 14 dias. Como isto não vai acontecer... Comentando a oferta, a ‘Dama de Ferro’ admitiu o óbvio: que é ‘uma pena que tantos jovens venham a morrer nessa guerra’. Só faltava ela exultar com a carnificina. Talvez secretamente, em seu íntimo, até exulte, quem sabe.

Pena não é bem o termo que deva ser aplicado a essa inútil carnificina que se desenha. As palavras mais apropriadas para esse conflito seriam ‘loucura’, ‘insensatez’, ‘crime contra a humanidade’ e outras muito mais fortes, aplicáveis aos dois contendores. Argentinos e britânicos são igualmente culpados, bem como os que apoiam as respectivas posições belicistas. Mas a senhora Thatcher lançou água gelada sobre a fervura, se é que a sua ‘oferta’ de paz pudesse ser levada a sério. Concluiu seu pronunciamento pela TV afirmando que não acreditava que os argentinos aceitariam sua derradeira proposta. Ela aceitaria:?

Dessa forma, os campos nevados da Ilha Soledad, a ‘Ilha da Solidão’ em nosso idioma, já quase nos limites da inóspita Antártida, vão se tornar rubros com o sangue de jovens que, no cumprimento do seu dever de executar o que seus superiores hierárquicos ordenarem, lá deixaram, estão deixando ou vão deixar seu bem mais precioso: a vida. E tanto sacrifício por nada. Morrerão anônimos.

Seus corpos serão enterrados em valas comuns, alguns tão deformados, que jamais virão a ser sequer identificados. Restarão esquecidos, sós, sem nome, na solidão gelada da ‘Ilha da Solidão’. Terão, certamente, mães, esposas e filhas esperando pela sua volta, que nunca irá acontecer. Os parentes jamais terão certeza se morreram ou permanecem vivos em algum lugar. Enquanto a guerra estiver em andamento, for manchete nos noticiários de rádios, televisões, jornais e revistas, seu sacrifício pela pátria será citado, enfatizado e glorificado, com palavras bombásticas, sonoras, retóricas, mas despidas de sinceridade e de conteúdo, por políticos oportunistas, de olho apenas na manutenção do poder.

Alguns, neste caso oficiais (coronéis ou generais), poderão até ganhar monumentos ou dar nomes a ruas ou praças. Os poderosos precisam, posto que temporariamente, enfatizar o seu sacrifício. Não que acreditem na sua necessidade, mas para justificar o injustificável: a sua insensibilidade, cinismo e intransigência. No entanto, tudo isso apenas será possível – homenagens, cerimônias religiosas e reverência nacional –, enquanto a guerra for destaque na imprensa.

Depois, quando os acontecimentos do Atlântico Sul forem superados por novas questões e por novos conflitos – que serão ‘consumidos’, como todos os outros, por um público ávido por desgraças, bestializado e imerso num egoísmo ferrenho e sem limites, encarando as carnificinas como se fossem de mentirinha, mera ficção –, desses jovens soldados, que lutam por alguma coisa que sequer sabem definir o que é, não restarão sequer lembranças. Nenhum pensamento vai mais se voltar para o seu sacrifício inútil, evitável e insensato. Seus nomes e experiências serão apagados da memória popular, como se jamais tivessem existido.

Em suas covas rasas, talvez marcadas apenas por uma tosca cruz de madeira, se tanto, em todas as primaveras, nesse recanto gelado e cinzento, na solitária Ilha da Solidão, nas Malvinas, brotarão delicadas e frágeis flores rubras, da cor do seu sangue generoso. Ninguém as plantou.

Os moradores da região evitarão até de passar pelo local, por temerem os ‘fantasmas’ da sua ingratidão. A natureza, apenas ela, não esquecerá o sacrifício anônimo desses jovens. E a vida vai continuar. Até o dia em que a loucura dos homens atingir o paroxismo e levá-los a plantar gigantescos ‘cogumelos’ de fogo nos quatro quadrantes do mundo. Ou, o que é improvável, até que a razão venha a preponderar sobre os instintos, quando só então a violência terá uma chance (posto que mínima) de ser banida da Terra e do espírito humano. Caso dê a lógica, no entanto, este planeta azul e frágil será todo ele uma inóspita e silenciosa “Ilha da Solidão’, na imensidão do espaço...”

* Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções, foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance Fatal” (contos), “Cronos & Narciso” (crônicas), “Antologia” – maio de 1991 a maio de 1996. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 49 (edição comemorativa do 40º aniversário), página 74 e “Antologia” – maio de 1996 a maio de 2001. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 53, página 54. Blog “O Escrevinhador” – http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk



Devaneios otimistas de um pessimista inveterado


* Por Fernando Mariz Masagão



Este texto começa como uma tentativa frustrada, eu sei. Vou tentar algo que me é impossível: escrever alguma coisa otimista. Para vocês terem uma ideia do grau de dificuldade da tarefa que eu estou me impondo, começo já com a certeza de que não vou conseguir. Sou um pessimista por formação, convicção e conformação (genética). Mas ando recebendo apelos e mais apelos para parar de ser tão reclaminha. O Zé Paulo Lanyi vive me dizendo “Fernando, já deu no saco esse papo de dor, de vontade de morrer, de amarga decepção para com os homens e a existência. Todo mundo já sabe que a vida é uma merda.” Já a Mariella Augusta diz que esta insistência nas minhas ladainhas se deve ao fato de eu ser um escritor neófito. “É, escrever sobre a morte, sobre a falta de sentido da vida, é coisa de cabaço, de quem não tem pegada. Mas isso passa.”

Confesso que não os escutei e, a princípio, ignorei o conselho dos dois – mesmo admirando a pujança do talento literário de ambos. Meus botões me garantiam que minha angústia era interessantíssima para os leitores do Literário, e assim, perseverei choramingando meu espanto para com Deus de todo o jeito que encontrei.

Mas as reclamações não cessaram – nem as minhas, nem as do povo. E comecei a receber cartas e mais cartas de todas as partes do planeta. Numa delas nosso imortal, Paulo Coelho, asseverava que lá na Academia eu não poria os pés se continuasse daquele jeito. E junto com a missiva vinha anexado um abaixo-assinado, subscrito por todos os outros imortais, instando para que eu adotasse uma postura mais Poliana em relação à literatura. Afinal, tristes e melancólicos os séculos passados já haviam parido em grande quantidade e com o talento para o nhé-nhé-nhé infinitamente superior ao meu.

Minha caixa de e-mail ficou congestionada. Recebi uma mensagem eletrônica psicografada de uma menininha de onze anos que havia morrido carbonizada num incêndio, mas que me garantia que morrer era o maior barato. “É só o senhor esperar para ver. É meio estranho na hora, mas é cheio de gente bacana aqui no além.” E terminava enfática: “Deixe de churumelas”.

Meus vizinhos e colegas de trabalho passaram a evitar minha companhia. Meu pai me deserdou porque minha mãe não pára de chorar, inconsolável, clamando aos céus, “onde foi que eu errei, meu deus, onde foi que eu errei!” noite e dia. Cheguei mesmo a apanhar de uma velhinha na rua. Choveram guarda-chuvadas na minha cabeça triste. Doía mais nela do que em mim, garantia, “mas aquilo era necessário para ver se eu tomava jeito”, me explicou, depois, docemente.

Para você terem uma ideia em que pé eu caceteei a todos, na semana passada acordei com a cabeça do meu cavalo de raça empapando de espesso sangue os lençóis de minha cama. E pra piorar tudo, de noite, Fidel Castro ligou a cobrar e passou doze horas me explicando que eu não passava de um burguês alienado. “Como era possível eu reclamar tanto de tudo vivendo num país governado pelo Lula. Será que eu não tinha vergonha na cara, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc...”

Mas só tomei a peito a tarefa hercúlea de escrever algo otimista depois que Nicole Kidman ameaçou acabar com nosso romance. “Eu não me separei do Tom para você ficar fazendo papel de babaca em público”, dizia furiosa. “Não fica bem num homem tão bonito e tão bom de cama esse ar de Werther sem Prozac”. Pois é, meus amigos de comiseração, foi a gota d’água. E assim, ante a possibilidade de perder uma de minhas amantes, me lancei em direção ao abismo do otimismo. Claro, ainda relutei em noites insones, refletindo que o que estava me sendo pedido era a certeza de mais uma frustração. “O que é que essa gente quer, porra! Que eu me foda de vez!? Será possível que só o Paulo Ludmer aprecie meus textos?”, desesperava.

A filosofia do pessimismo sempre fora minha muleta metafísica. “Se der errado, não foi por falta de aviso. Se der certo, que bom, eu estava errado.” Eis a lógica do pessimismo. Não tenho nenhum problema em estar errado. Já me acostumei. Aliás, não é preciso nenhum esforço para saber que a autoestima dos pessimistas apanha mais do que o Sport Club Corinthians Paulista. As perspectivas de dentro do seio do pessimismo são as mais acalentadoras e promissoras. Nada mais otimista que o pessimismo.

Mas ante a possibilidade de perder Nicole; ante a possibilidade de perder o carinho de meus amigos e familiares; ante a possibilidade de perder o respeito de meus contemporâneos e, quiçá, da posteridade, resolvi empreender este texto que, por si só, já é um libelo do otimismo. Há metalinguagem nele, reparem.

Todavia, vou ter que parar por aqui. Nem percebi como começou, foi tudo muito rápido. Mas a escada dos bombeiros já alcançou o meu andar e se eu me demorar mais, escrevendo, vou acabar fazendo companhia à menininha de 11 anos e seus amigos tão bacanas.

(*) Fernando Mariz Masagão é músico, dramaturgo, poeta e colaborador de publicações online sobre arte, com crônicas e críticas musicais. Guitarrista e vocalista de bandas de rock'n'roll, tem formação clássica vigorosa, em cursos de regência sinfônica, apreciação musical e instrumentação.




A arte de ser feliz

* Por Cecília Meirelles

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.

HOUVE um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

MAS, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
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in "Escolha seu sonho" 


* Escritora, professora, jornalista e pintora.
O sumiço de três alemães na floresta amazônica

* Por José Ribamar Bessa Freire

Procuram-se, vivos ou mortos, três alemães que sumiram na floresta amazônica sem deixar vestígios. Gratifica-se a quem der algum indício do paradeiro deles. Favor avisar à Embaixada da Alemanha. Aqui vão os retratos falados de cada um:
João Henrique Meissner, alto como uma sumaumeira, cabelo vermelho cor de fogo e olhos azuis, exala um odor de repolho fermentado em salmoura.
Pedro Gerardo Wortmann tem a mesma estatura, cabelos louros e uma sereia tatuada no braço direito. Fala como se mastigasse pedras. Cada palavra é uma pedrada.
Guillermo Dorotheo Ulrich, cara quadrada, cabelos castanhos claros, queixo de vovó Filó. Usa óculos. Tem um cacoete: é pisca-pisca, vive pisca-piscando.
Os três, que se amarram num chucrute e numa cervejinha, quando podem estraçalham um arenque defumado do Mar do Norte regado com vinho branco feito com uvas ensolaradas do vale do Mosela. Não dispensam torta de maçã. Mas onde encontrar arenque, uva e maçã na floresta amazônica?


Cadê os alemães?


Onde está Meissner? Quem viu Wortmann? Cadê o Dorotheo Ulrich? Com aquele porte de castanheira, eles não podem ter se evaporado sem deixar a menor pista.
Consulados e embaixadas se mobilizam nervosamente. Diplomatas ouriçados têm ataques de faniquito. Os Ministérios das Relações Exteriores dos dois países, em polvorosa, já troca-trocaram vasta correspondência. Autoridades locais esquadrinharam as clareiras da floresta e todos os becos de Belém e Manaus. Inutilmente. Mães e noivas aflitas de Frankfurt esperam ansiosas que os sequestradores digam quanto querem pelo resgate.
Até mesmo Ernst Engel, um alfaiate de Hamburgo, procura semanalmente o Consulado Geral do Brasil naquela cidade preocupado com o trambique, porque os três alemães deixaram lá uma dívida de 1.899 marcos e sete shillings.
O Governo da Alemanha pressiona. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Aureliano Souza de Oliveira Coutinho, em Aviso do dia 16 de janeiro de 1841, solicita ao presidente da Província do Pará, Bernardo Souza Franco, informações sobre os três cidadãos e exige providências enérgicas e urgentes para localizá-los.
Todos os funcionários foram acionados para tentar encontrá-los. Ofícios vão-e-vêm. Um deles, redigido com letras caprichosas de caderno de caligrafia, foi enviado pelo presidente da Província do Pará ao Comandante das Armas, com cópias à Thezouraria da Fazenda e ao Comandante da Força Naval em Belém, indagando sobre rastros dos alemães.  
Ôpa! O ofício foi respondido. Encontraram uma pista. José Manoel Rangel de Carvalho, contador e escriturário da Thezouraria da Fazenda do Pará, vasculhando os arquivos daquela repartição pública, encontrou o Livro de Despesa da Caixa Militar nº 392, onde aparece o pagamento de salários nos meses de setembro, outubro e novembro de 1836 a um dos alemães: João Meissner.
Esta informação é comunicada no dia 8 de junho de 1841 ao chefe imediato, o inspetor de Fazenda Manuel Rodrigues D´Almeida. Daí é repassada em cadeia hierárquica ao presidente da Província do Pará, ao ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, ao Consulado do Brasil em Hamburgo e, finalmente, ao governo alemão que não se conforma e exige mais detalhes. Isso foi trinta anos antes da unificação da Alemanha, que não tinha ainda seu Bundeskanzler.
A procura continua. Finalmente, o escrivão do Hospital Geral Militar do Pará, Ignácio Porfírio da Costa, obtém dados mais concretos. Consultando os livros de entrada do hospital, o zeloso funcionário encontrou nas folhas 2º e 31 que Meissner, o cabelo de fogo, entrou gravemente ferido no dia 17 de julho de 1838 e morreu dois meses depois. Wortmann, o tatuado, baixou hospital no dia 20 de outubro de 1837 e morreu em 5 de março de 1838. Quanto ao pisca-pisca Ulrich, ninguém sabe, ninguém viu.


Os cabanos: piroca-cana


Afinal, que diabos vieram fazer na Amazônia esses três gringos? Os três eram, na realidade, mercenários pagos pelo Governo do Pará com o dinheiro suado do contribuinte caboco para matar paraenses e amazonenses, guerreiros da Cabanagem, um movimento revolucionário que se alastrou por toda a Amazônia unindo índios, negros, tapuias e mestiços contra a opressão e a exploração da minoria de proprietários brancos.
Nessa época, a Província do Pará, que englobava o território do atual Estado do Amazonas, tinha 120 mil habitantes, dos quais 35 mil eram índios aldeados, 30 mil negros escravos, 40 mil mestiços e tapuias e apenas uns 15 mil brancos. Sem contar, é claro, os índios isolados que eram incontáveis.
Os cabanos tomaram o poder no dia 7 de janeiro de 1835. Mataram o presidente da província Lobo Souza. Seu corpo ficou exposto durante um dia inteiro e os cabanos desfilaram diante dele, cuspindo e chutando o cadáver. Depois de enterrado no cemitério da igreja das Mercês, em Belém, os cabanos ainda mijaram na cova. Era a vingança contra mais de 200 anos de miséria e humilhação, contra o “quadrilhão” antecessor do Jader Barbalho.
Olha só em que fria foram se meter os três alemães! Olha só!
Eles, na realidade, não eram três. Eram muitos. Faziam parte da Força Naval comandada pelo desertor da Marinha Britânica, John Taylor, que tinha duas divisões compostas por 460 soldados, todos eles mercenários alemães. Chegaram ao Pará no dia 25 de junho de 1835 em uma fragata, 20 escaleres, lanchões e outros barcos para garantir a posse do marechal-de-campo Manuel Jorge Rodrigues, nomeado presidente da Província do Pará.
Segundo dados do Inspetor da Fazenda, responsável pelo pagamento das tropas, os alemães fizeram parte do 1º Batalhão de Fuzileiros, composto por praças estrangeiros que, em 1836, sob o comando do major Fernando da Costa, saíram matando os cabanos como se fossem moscas.
A repressão foi brutal e sangrenta. Uma carnificina. Calcula-se que 40.000 pessoas morreram na Cabanagem. Entre eles Meissner, Wortmann e Ulrich, feridos de morte provavelmente em algum combate nos becos de Belém, onde cabanos de nomes sugestivos como Piroca-Cana, Mulato Fidelis, Preto, Zé Ourives, Chico Veado, Onça do Mato, Mãe da Chuva, lutavam com bordunas, facões, flechas, zarabatanas e todo tipo de porrete e cacete.
Meissner e Wortmann foram enterrados em Belém. Ulrich, o pisca-pisca, provavelmente atingido por alguma bordunada, teve seu cadáver atirado ao rio para alimentar as piranhas. Sequer morreram lutando por algo em que acreditavam.


Taqui tucupi


Quando os três saíram de Hamburgo ao encontro da morte em Belém, a Alemanha havia acabado de perder dois filhos ilustres: o filósofo Hegel e Goethe, poeta lírico. Mas os três mercenários dificilmente puderam fruir do prazer da leitura de “Fausto”, uma das maiores obras da literatura alemã, como sequer desconfiavam das leis fundamentais da dialética formuladas por Hegel. Será que seus ouvidos chegaram a ser acariciados por alguma cantata de Bach?
Pobres Meissner, Wortmann e Ulrich. Não puderam nem gastar o dinheiro do soldo que receberam para matar cabanos. Não desfrutaram da literatura, da música e do conhecimento produzido em sua pátria de origem. Devem ter morrido sonhando com joelho-de-porco, salada de arenque com pepinos e batatas, tendo por sobremesa apfelstrudel.
Sequer puderam aproveitar o melhor da Amazônia. Morreram sem se deliciar com a caldeirada de bodó, o doce de cupuaçu, o vinho de buriti, o açaí e o tacacá. Nos últimos dias de combate, a tropa passava fome, a Esquadra já não era mais abastecida com feijão, toucinho e carne salgada vindos do Rio de Janeiro, segundo queixas do almirante John Taylor, em ofício ao ministro da Marinha.
Os alemães, devotos de Santa Etelvina, se meteram numa briga que não era a deles e, ainda por cima, do lado errado. Teria sido melhor ficar mamando uma cervejinha em Hamburgo. Morreram o Cabelo-de-fogo, o Tatuado e o Pisca-pisca. Bem feito! O pescoço francês do prefeito! Lamentamos apenas o trambique dado no pobre alfaiate de Hamburgo. Será que os cabanos mijaram também na cova dos alemães?
Meninos, eu li os manuscritos com a história dos três alemães no Arquivo do Itamaraty, no Rio de Janeiro, que guarda documentação sobre a Cabanagem e sobre a história dos índios na Amazônia. A narrativa que aqui apresentei foi feita a partir da troca de correspondência entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Província do Pará. Tudo está na papelada, menos o dado de que Ulrich era pisca-pisca. Isso eu inventei. Afinal, mais do que historiador, sou um fofoqueiro. Mas também, com um nome desses – Dorotheo Ulrich – o cara tinha de ser pisca-pisca, não tinha não?
P.S.1 – Para os historiadores sérios, que não gostam de fofocas, indico o Fundo “Correspondência” do Arquivo do Itamaraty e dentro dele a Série 16 – Correspondência com Governos, Repartições e Autoridades Regionais e Locais, com destaque para as sub-séries “Amazonas” e “Pará (1823-1899), que contém documentos sobre o Messianismo no Rio Negro, relatórios das Diretorias de Indios e dados sobre os mercenários estrangeiros na repressão à Cabanagem.  Lá o pesquisador encontrará tudo que foi aqui narrado, menos o Pisca-pisca.
P.S. 2 - Versão ligeiramente modificada da crônica publicada em A CRITICA, de Manaus (11/051993) com o título de “Meninos, eu li”.


* Jornalista e historiador. 



Ilhas do tesouro

* Por Frei Betto

Nos últimos 30 anos, países periféricos, à exceção da China, transferiram para as nações metropolitanas capitalistas US$ 10,6 trilhões, quantia que equivale a cinco vezes o PIB do Brasil.

Isso acaba com o mito de que são os países ricos que investem nos pobres. De fato, ocorre o contrário. A diferença é que a fuga de capitais não chega aos países desenvolvidos como investimento, e sim como mera especulação via paraísos fiscais.

São considerados paraísos fiscais os 48 países e jurisdições listados pelo FMI como centros financeiros offshores. Essa a verdadeira máfia criminosa que drena recursos dos pobres para os ricos e, assim, impede a redução das desigualdades sociais e o aumento da qualidade de vida de bilhões de pessoas.

Nas últimas três décadas, as transferências legais de países pobres para os ricos somam US$ 1,1 trilhão. As sem registro, US$ 10,6 trilhões, dos quais US$ 7 trilhões saíram por meios ilegais.

Em 2011, habitantes de países periféricos tinham, em paraísos fiscais, US$ 4,4 trilhões! Dinheiro que o fisco não recolheu, a economia local não recebeu, e do qual a população não se beneficiou.

Os paraísos fiscais recebem fluxos financeiros de criminosos via corrupção, evasão fiscal e comercial, sonegação etc. Dados de 2014 indicam que, naquele ano, eles alojaram, em bilhões de dólares, US$ 505 do tráfico de drogas; US$ 109 do tráfico de pessoas; US$ 1,3 do comércio de órgãos humanos; e outros valores elevados advindos do contrabando de pesca, madeira (com efeito no desmatamento), tráficos de armas e pedras preciosas, roubo de petróleo e falsificação de medicamentos, produtos eletrônicos e cigarros.

O valor global de fluxos criminosos transnacionais foi de aproximadamente US$ 1,1 a US$ 1,4 trilhão em 2014. O impacto econômico desses fluxos é significativo, e os crimes ameaçam a segurança e a estabilidade mundiais.

O estoque de ativos é baseado em bancos de dados do FMI: Pesquisa Coordenada sobre Investimentos Diretos (Coordinated Direct Investment Survey - CDIS); Pesquisa Coordenada sobre Investimentos em Portfólio (Coordinated Portfolio Investment Survey - CPIS); Posição Internacional de Investimentos (International Investment Position – PII); e o banco de dados do Banco de Pagamentos Internacionais (BPI) sobre depósitos bancários internacionais nos paraísos fiscais.

Deve-se levar em conta que mais de 80% dos paraísos fiscais não reportaram, ou reportaram alegando confidencialidade, de modo que os números estão subavaliados.

Todos os dados acima constam do relatório “Fluxos financeiros e paraísos fiscais: uma combinação para limitar a vida de bilhões de pessoas” (http://www.ihu.unisinos.br/571501-e-os-pobres-sutentam-o-cassino-financeiro -global).

Os autores são o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), em parceria com o Centro de Pesquisa Aplicada da Escola de Economia da Noruega (SNF); a Global Financial Integrity (GFI); a Universidade Jawaharlal Nehru, da Índia; e o Instituto Nigeriano de Pesquisa Social e Econômica.


* Frei Betto é escritor, autor de “O que a vida me ensinou” (Saraiva), entre outros livros.




sábado, 23 de setembro de 2017

Literário: Um blog que pensa

(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos, cinco meses e vinte e seis dias de existência.


Leia nesta edição:


Editorial – Montinho de segredos.

Coluna Direto do Arquivo – Fábio de Lima, crônica. “Morte e vida Severino (A loucura de um pequeno gigante)”.
Coluna Clássicos – Fernando Sabino, crônica, “O melhor amigo”.
Coluna Porta Aberta – Clóvis Campêlo, crônica, “Dylan e o Nobel de Literatura”.
Coluna Porta Aberta – Flora Figueiredo, poema, “Primavera”.
Coluna Porta Aberta – José Régio, poema, “Canção de Primavera”.


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Livros que recomendo:

Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbett Oliveira” (Fortuna crítica) – Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com

Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Águas de presságio”Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br

Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.

A sétima caverna”Harry Wiese – Contato: wiese@ibnet.com.br

Rosa Amarela”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Acariciando esperanças”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Cronos e Narciso” – Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br

Lance Fatal” – Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br


Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk.As portas sempre estarão abertas para a sua participação.