terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Índice


Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos, dez meses e vinte e três dias de existência.


Leia nesta edição:


Editorial – A linguagem do povo.

Coluna Á flor da peleEvelyne Furtado, poema, “Solar.

Coluna Observações e reminiscênciasJosé Calvino de Andrade Lima, trecho de livro, “O filho do Chupa”.

Coluna Do real ao surreal – Eduardo Oliveira Freire, crônica, “Intervenção no Rio”.

Coluna Porta AbertaZulcy Borges, artigo,Uma sociedade que se mata”.

Coluna Porta Aberta – Zuca Sardana, poema, “Castelo”.


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CITAÇÃO DO DIA:

Tempos difíceis 

Os últimos dias de um homem são os mais difíceis, os mais irritantes. Você já sabe tudo o que poderia saber, ou seja, você não sabe nada.

(Eugène Ionesco).



***


Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.


Editorial - A linguagem do povo


A linguagem do povo


Um leitor assíduo das minhas crônicas, tanto em jornais quanto nos vários sites e blogs da internet em que participo ativamente, questiona-me sobre a validade ou não do escritor se utilizar da “linguagem do povo”, aquela falada no dia a dia – sem preocupações com concordância, regência, conjugação correta de verbos, utilização de pronomes etc. – em textos literários.

Minha resposta é a mesma que dei quando fui questionado sobre o uso de palavrões. Eu, particularmente, não gosto de usar e raramente me utilizo desse expediente. Todavia, em determinadas circunstâncias e ocasiões, isso não somente é válido, como até se impõe.

No entanto, o escritor deve deixar claro que é seu personagem que fala errado e não ele que não conhece português. Afinal, queira ou não, tenha ou não essa consciência, ele é o guardião por excelência do idioma. Tanto que, determinadas expressões que geram dúvidas nos gramáticos quanto à sua correção, são catalogadas pelos dicionaristas como válidas com base, muitas vezes, apenas no seu uso por escritores consagrados. Você pode observar isso, por exemplo, em algumas expressões no dicionário do mestre Aurélio.

Caso você esteja escrevendo um romance, em que algum de seus personagens (ou todos) seja um sujeito iletrado (analfabeto ou não, não importa) não irá convencer ninguém se o puser dialogando num português impecável, perfeito, castiço, de forma que nem mesmo o mais erudito dos eruditos utiliza no cotidiano. A história ficará inverossímil se o fizer.

O necessário, porém, é ter cuidado para não exagerar na dose. É como certas bebidas alcoólicas: tomadas em pequenas doses, servem como aperitivo, mas se você tomar a garrafa toda... E, principalmente, não misture erros gramaticais seus, pessoais, com os dos personagens. Detecte-os, no processo de revisão, e corrija-os de imediato.

Aliás, se o escritor for relaxado em seu linguajar, sequer encontrará editor que tope embarcar nessa canoa furada com ele (para não partilhar do ridículo). Seu livro nascerá “morto”, ou seja, permanecerá inédito, a menos que o banque do próprio bolso. E se o fizer, por um excesso de vaidade que o cegue ao ponto de perder a noção de autocrítica, certamente irá arcar com monumental prejuízo, por falta de leitores que se habilitem a comprar tamanha baboseira.

Muitos escritores de primeiríssima linha reproduziram a linguagem do povo em diálogos de personagens (quando isso se impunha, claro) em romances de grande sucesso. Mas fizeram-no com bom-senso, elegância e, sobretudo, pertinência. É isso o que lhe recomendo, caríssimo leitor.

Por sua pergunta, concluo que você é aspirante a escritor. Mande-me, pois, seus textos, sem nenhum receio de eventuais prejuízos à sua imagem, pois prometo, caso sejam bons, publicá-los (como faço com todos os que me procuram) e, em caso contrário, juro que não o exporei ao ridículo. Se houver erros insanáveis para um editor, comprometo-me a analisá-los exclusivamente com você, em um e-mail particular. Ninguém saberá, a não ser nós dois, ok?

Mas não tenha receio de se expor. Submeta-se à crítica, que é sempre saudável. Ela pode ser muito mais didática do que um montão de aulas teóricas de literatura. Ademais, ninguém é infalível e nem nasceu sabendo das coisas, não é mesmo?

Boa leitura!

O Editor.


Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk

Solar - Evelyne Furtado


Solar


* Por Evelyne Furtado


Fiz do sol poente
(belo e nostálgico)
rotina presente



Vi no azul nascente
(tímido e promissor)
esperança ardente;



* Poetisa, cronista e psicóloga de Natal/RN

O pai do Chupa - José Calvino de Andrade Lima


O Pai do Chupa*


** Por José Calvino


Em fevereiro, de 1937, Miguel Rodrigo Carrasqueiro chega ao Recife, com seus vinte e cinco anos de idade, devido à inquietação econômica e política na Espanha, que culminou com a rebelião do Exército, sob a liderança do general Franco. A revolta precipita a guerra Civil Espanhola. As forças do general Francisco Franco têm o apoio da Alemanha nazista e da Itália fascista... Nesse ínterim, Miguel Rodrigo foge para a França devido à impopularidade do ditador Franco.

Miguel Rodrigo Carrasqueiro entrouxou as melhores roupas e toda a sua economia – arranjara documentos “frios” como emigrante italiano – em uma gráfica de Paris, que imprimia também passaportes e outros documentos falsos e resolveu viajar para o Brasil de que contavam tantas maravilhas... principalmente o carnaval do Recife, considerado o melhor do mundo…

Miguel Rodrigo, recém chegado, hospedou-se num dos quartos da rua da Praia. Passando pelos arredores do Mercado de São José conheceu uma menina-moça que perambulava pelas ruas e vielas do bairro de São José. Tinha o vício de pequenos furtos, devido à necessidade de sobreviver, pele queimada do sol, filha de um negro pescador do Pina, suja, cabelos em desalinho, uma marca de coração na coxa direita, feita de óleo da castanha de caju. Trajando vestido de chita, comia ovos podres e “Caboge” (galinhas mortas que vinham nos garajaus). Seria aquele encontro a origem da felicidade de ambos? Era carnaval no Recife. Miguel Rodrigo não sabia brincar carnaval, fazer  o passo do frevo pernambucano, mas a menina-moça o ensinava e foram brincar na rua Nova, Imperatriz, Concórdia... olharam o corso, Recife era considerada a capital do frevo.

Eles perambulavam pelas ruas e avenidas, ora fazendo o passo, ora andando abraçados beijando-se. Ele virava de lado o Prada, imitando um toureiro. Ao passarem na Avenida 10 de Novembro (atual Av. Guararapes) levaram um banho de talco e foram melados de batom. No ruge-ruge da folia furtaram o chapéu Prada de Miguel Rodrigo. Mas, não foi por isso que desanimou. Eles resolvem comprar talco e uma caixa de lança-perfume Rodouro,    contendo três tubos para brincarem os três dias de carnaval.

Pintaram os rostos de carvão e brincaram até cansarem. Logo após, foram descansar no Cais do Chupa e, lá, fizeram amor e dormiram no Areal. Pela manhã, ao nascer do sol, acordam. Mais tarde, ficaram assistindo de longe a draga chupar a areia, aumentando o calado. O Cais era desabitado, estava um dia ensolarado e vinham embarcações de Goiana, Sapé, São Francisco... carregadas de carvão vegetal, melancia, abacaxi, et cétera. Foram ao Cais do Abacaxi próximo ao do Chupa (hoje Cais de Sta Rita) e lá chuparam abacaxi a valer, depois foram até o Mercado de São José, tomaram café e tiraram uma foto no lambe-lambe. Depois foram ao comércio fazer compras:um chapéu panamá para ele e um de feltro para ela, boinas, anáguas, sapatos, xales manuais de crochês e tricôs (...),etc. Quando saíram da loja compraram no Mercado de São José um quepe branco e um diadema com uma pluma colorida e, depois, seguiram pela rua Padre Muniz e resolveram, subir a um “rendez-vous” barato.
- Edilza vai ganhar uma comissão boa, não é, dona Cosma?
- Vá tomar no olho do cu! – era a dona do prostíbulo conhecida como “Mãe Branca”, que não gostava que a chamassem pelo nome – Aqui mando eu! Quem manda você não arranjar turista? Só esses pé rapado do Mercado... – ficando nas pontas dos pés – e digo uma coisa: se você bulir com Edilza e repetir de novo o que disse você não entra mais aqui, ouviu?

-...

Edilza dá um puxão tão forte no braço de Miguel Rodrigo, que os pacotes de roupa caem no chão junto com a caixa de lança-perfume. Edilza apanha e segue para o quarto, sendo acompanhada por Miguel Rodrigo atônito, pensando: “”Isto é um rendez-vous de putas! Um perigo estas raparigas...”


Era uma terça feita, último dia do carnaval. Miguel Rodrigo e Edilza saem vestidos de foliões. Ele, sem suspensório – os jovens da época logo aderiram à nova moda.

Miguel Rodrigo e Edilza ambos, de lança-perfume, ele olhando os seios dela pela blusa quase transparente, molhando os bicos dos peitos da moça percebia ficarem rígidos, dada a frieza do éter que continha na lança-perfume. Ela sentia-os pulsar e pegou a sua também e lançou em sua virilha, que já dava para notar o seu membro endurecido. Beijaram-se em plena avenida 10 de Novembro.


Miguel Rodrigo e Edilza, à noite, iam mais das vezes ao Cais do Chupa. Edilza reconhecia o desejo de manter relações sexuais com Miguel Rodrigo, pois sabia que o estrangeiro era a sua felicidade. Amava-o e lembrava sempre que a sua primeira noite fora no Cais-do-Chupa, quando ali chegaram excitados às vinte e três horas, em plena folia de carnaval. Miguel Rodrigo sujo de talco, ela idem e de batom por todo rosto. Beijaram-se, ouvindo de longe músicas carnavalescas. Uma delas ficou bem na memória de ambos: “Carnaval  da  Torre”:


Recife é uma nova Roma
Que comanda o nosso carnaval
Estamos na “Torre de Babel”
Fazendo passo embaixo do “Arranha céu”

Venha de pé, de carro ou de trem
No caminho não pare pra ninguém
Recife espera com grande animação
O povão na sua locomoção

No fantástico três dias de folia
A fantasia do folião está em cena
Desfilando no meio da confusão
No passo da grande multidão

Quando o frevo se animar
A plateia inteira vai vibrar
Vendo o “negão” dar uma de mestre
Fazendo passo como um “cabra da peste”...


Cavaram com as próprias mãos um buraco não muito profundo no areal. Durante a noite, no areal, não se via um pé-de-pessoa. Edilza deitava-se sobre Miguel Rodrigo, confiava no seu macho. Excitados, fizeram amor: ora fora do buraco, ora dentro do buraco. Já eram quatro e meia da manhã e as luzes da cidade estavam se apagando junto com os letreiros luminosos, e retornaram a amar... Lá, eles contemplavam os maçaricos pousarem no médão  e as andorinhas, que roçavam a superfície da água. Aquele grande espetáculo que a natureza oferecia dava uma sensação de felicidade a ambos. Estendiam-se na areia, nus...

- Estamos livres como os passarinhos – disse Edilza.

É lindo ver os voos das gaivotas sobre as ondas do mar” – pensou Miguel Rodrigo Carrasqueiro, sorrindo.


Em 1945, Miguel Rodrigo e Edilza comemoram no Pina o fim da segunda Guerra Mundial, que tanto os prejudicava como também a todo mundo!

Miguel Rodrigo já havia liquidado o quarto da rua da Praia e levado a sua maleta para a nova moradia. Limpava impecavelmente os seus três anéis. Edilza presenteara um anel de bronze e, em troca, Miguel Rodrigo retribuíra com seu anel mais bonito, de brilhantes, que trouxera de Sevilha e com umas castanholas que havia comprado para presentear a uma sua amada espanhola, não acontecendo por causa da sua fuga à França e na qual não tivera tempo para entregar-lhe. Ensinou Edilza a manuseá-las e a mesma logo aprendeu a tocar e sapatearam como flamengo um bom tempo em cima de um barco virado...


Miguel Rodrigo sentia-se contente consigo mesmo. Já havia escolhido a sua futura esposa e confiava que ela suportaria sofrer ao lado dele. Mas, havia um problema: estava desempregado e não queria que Edilza de forma alguma, voltasse a sofrer novamente, principalmente agora-prenhe. Acontece que Edilza havia combinado visitar Miguel Rodrigo nos finais de semana, no Cais-do-Chupa. Miguel Rodrigo começa a trabalhar na arte de transformar em anéis ruelas de bronze, etc. O tempo foi passando e ele voltou a jogar as suas economias no jogo do bicho, quando vendia alguns anéis, pregos etc. Sabia que era contravenção, pela constituição do país! Mas, o que poderia fazer se as autoridades constituídas eram coniventes? Um dia mesmo até dissera: “Deus me livre mais jogar...” mas existia, o que iria fazer?


Acontece que, desesperado com pouco dinheiro sabia que estava se entregando ao relaxamento, despreocupando-se com o vestir quase entregando-se ao alcoolismo. Edilza visitava-o praticamente uma vez por mês! Havia sonhado afogado num mergulho, que dava no mar: “(...)” Teria sido o efeito do álcool aquele horrível sonho? Miguel Rodrigo não conseguia dormir direito, sabia o motivo da insônia e a pobreza o deprimia... Vinha-lhe uma saudade grande de Sevilha. Abria a maleta e ficava admirando as castanholas que Edilza havia devolvido, por não achar mais graça nas duas peças de marfim. Teria sido um covarde? Chorava baixinho e sabia que era impossível rever a espanhola, mas assim mesmo qual seria a sua idade? Estava velha, é claro... Estava para abandonar tudo, tudo mesmo, o Recife, Edilza... pensava: “será que ela está passando bem?”


Tinha vergonha de ir saber notícias, sentia-se novamente como um covarde, com necessidade de fazer sexo. No impulso do desejo resolveu atravessar a Giratória (Ponte Giratória, inaugurada em 1923), indo ao Bairro do Recife Antigo (Zona de baixo Meretrício), mal vestido e com roupas em duplicata... Num momento de lucidez, achou que os andrajos estavam chocando a sociedade. Resolve voltar ao Cais, fantasmagórico e pensava: “estou mais parecido com Raskólhnikov ... – personagem principal de Crime e Castigo –Dostoievski- Estou ridículo com estes trajes”. Retorna para o Chupa, apressado. Quando chega no Areal retira a boina, as calças, a primeira meia-coronha e a segunda de baixo. Retira da maleta uma roupa nova, fica nu e segue para o mar dar uns mergulhos, banha bem o rosto e os cabelos. Dá uns pulinhos, enxuga o corpo com as mãos e veste-se. Faz a barba com a sua navalha, ajeita-se e, com ousadia, atravessa novamente a Ponte Giratória seguindo para o Bairro do Recife.


Um mendigo com uma rede e um samburá vazio pede uma esmola a Miguel Rodrigo e ele dá uma moeda, sobe as escadas de madeira e vê as mulheres dançando seminuas, o desenho em néon de uma ponte simbolizando a cidade do Recife, luzes de diversas cores no salão, piscando. As predominantes eram as vermelhas e verdes. As lâmpadas das janelas não piscavam e havia muita zoada. A morena que o chamou foi logo dizendo o seu preço! Miguel Rodrigo ficou logo indiferente às carícias da meretriz:
- Vamos fazer menino? Amor, compra uma ficha pra mim, que eu vou escolher a melhor música que tem na vitrola.


Notando Carrasqueiro ser estrangeiro, falou ao mesmo tempo francês e inglês “à la beira de cais”: “Merci beaucoup... I love you”… -... (Ri sem som, baixinho, pensou: “Vá tomar no cu!”) - Yes... Okay... Au revoir...


Com nojo da prostituta se aprontou, pagou e desceu as escadas ouvindo gargalhadas das prostitutas... e o som das vitrolas dos bares retornou a se misturar com o dos cabarés... Miguel Rodrigo vai a uma barraca da rua da Guia e toma uma dose de cachaça, espreme um pouco de limão antes de beber e, depois que engole a “lapada”, chupa o limão. Pede um cigarro, acende, paga a pequena despesa e resolve não mais voltar pelo mesmo lugar. Sobe a Ponte Maurício de Nassau, vê o pescador que antes havia pedido uma esmola, com cinco siris no samburá. Melancólico, com aquela cena, fica de pé no meio da ponte – no peitoril -, olhando os reflexos das luzes coloridas que, acendendo e apagando, em sua maioria em gás neon aformoseavam o Rio Capibaribe.


* Extraído do livro: O Pai do Chupa, pp. 21-42. Edição esgotada.




** Escritor e dramaturgo pernambucano.

Intervenção no Rio - Eduardo Oliveira Freire


Intervenção no Rio


* Por Eduardo Oliveira Freire


Essa intervenção militar só será feita em pontos estratégicos ou em outras áreas periféricas da cidade, onde os turistas estrangeiros não vão?

Ainda tem pobre, que pensa ser elite, acha que ficará seguro, pois, o exército irá protegê-lo. Não se engane, amigo. O tráfico e as milícias continuarão a mandar e a desmandar no subúrbio e na zona oeste da Cidade do Rio de Janeiro e nas outras cidades do estado.

Para combater a criminalidade, precisa investir no planejamento e inteligência.

Mas, infelizmente, os governantes do Rio de Janeiro só desejam saquear ainda mais o Estado.

Coitado do meu RJ e do nosso povo. Está tudo dominado pela elite egocêntrica, políticos corruptos, pelos traficantes e pelas milícias.Tá dominado.Tá tudo dominado!!!!!

* Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural e aspirante a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/
   


Uma sociedade que se mata - Zulcy Borges


Uma sociedade que se mata


* Por Zulcy Borges


Foi assim que um sociólogo espanhol definiu o Brasil quando em visita ao país anos atrás. Agora, neste mês de dezembro, um comerciante derrubou e chutou covardemente, no chão, uma vigilante, em um clube da polícia (!) de Três Corações – Minas Gerais. Passados poucos dias, um motociclista martelou, isto mesmo, bateu com um martelo na cabeça e depois tentou chutar a pessoa caída, em Uberlândia – Minas Gerais. E no mesmo dia, dois primos chutaram até a morte um ambulante na estação do Metrô – Pedro II, de São Paulo-Capital.

Todos fatos foram devidamente filmados e repetidos a exaustão nos noticiários de TV. No caso de São Paulo, o linchamento dos assassinos só não aconteceu porque a polícia resolveu suspender uma reconstituição exibicionista do crime, responsável por uma  multidão revoltada na estação do metrô paulistana.

No noticiário sensacionalista da TV, os apresentadores se sucederam dizendo que justiça não se faz com as próprias mãos, ao mesmo tempo que voltavam a bradar contra a falta de Justiça no país e pela pena de morte. Isto enquanto policiais em todo Brasil estão em greve branca devido aos atrasos de pagamentos e ameaça de cortes salariais. Ou como se explicar o massacre perpetrado dentro da estação do metrô de São Paulo, sem que nenhum dos tantos agentes da segurança da estatal paulista interviesse?

O clima de insegurança e a criminalidade no Brasil estão atingindo níveis desesperadores e a imprensa vem contribuindo para que eles piorem.

* Jornalista e editor do portal Momento Itajubense, Itajubá, Minas Gerais.


Castelo - Zuca Sardana


Castelo

* Por Zuca Sardana

Viagem atribulada foi-se
ao vento o boné do Capitâo
o Vaporetto empina faz pirrazza
faz cavalo-de-pau quase
enfia o casco nos cornos
da torre do castelo
de Dona Sofia
rodopia rodopia
parece uma folia
de viúvas d’operetta
quase atropela o velho taxi
Packard do seu Cafunga

* Poeta e desenhista