sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos, seis meses e vinte e três dias de criação.


Leia nesta edição:

Editorial – À margem da edição.

Coluna Contrastes e Confrontos – Urariano Mota, crônica, “O que os pobres comem”.

Coluna Do real ao surrealEduardo Oliveira Freire, conto, “Mimado”.

Coluna ClássicosAlgernon Charles Swinburne, poema,Uma despedida”.

Coluna Porta AbertaMarleuza Machado, poema, “Primaverando”.

Coluna Porta Aberta – Mário Augusto Jakobskind, artigo, “Ação policial na casa de filho de Lula: Brasil institucionaliza a deduragem”.

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Livros que recomendo:

Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbett Oliveira” (Fortuna crítica) – Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com

Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Águas de presságio”Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br

Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.

A sétima caverna”Harry Wiese – Contato: wiese@ibnet.com.br

Rosa Amarela”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Acariciando esperanças”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Cronos e Narciso” – Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br

Lance Fatal” – Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br





Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação. 
À margem da edição


O artista é o sujeito que lança mão apenas da imaginação para criar obras nascidas exclusivamente da sua fantasia. Já o cientista se atém ao concreto, ao comprovável, àquilo que pode ser racionalizado e repetido quantas vezes se desejar, desde que certas regras sejam rigorosamente respeitadas, certo? Errado!

O que entendemos por ciência não é mais do que fruto da especulação. O que hoje é tido como dogma incontestável, amanhã pode estar totalmente ultrapassado por novas "descobertas", que por sua vez talvez sejam superadas por outras, e mais outras e mais outras, em um número de vezes que pode se perder no infinito.

O artista, porém, e em especial o poeta (mas também o cronista, o contista, o romancista, o ensaísta etc.) desenvolve, com anos de exercício, a aptidão de explorar sutilmente o subconsciente à cata de emoções que lhe sirvam de matéria-prima para maravilhosas obras de arte. Sons, imagens, odores, sensações agradáveis ditadas pelos cinco sentidos, são transformados por esses criadores (que valorizam e dão nobreza à vida humana) em melodias, telas, esculturas, palavras que formam metáforas bem ajustadas e harmoniosas. Com o talento de que são dotados, nos transmitem suas emoções, às quais agregamos as nossas, ditadas por nossa própria experiência pessoal.

Todos temos, a rigor, em nós, um artista adormecido, embora muitas vezes não pareça que seja assim. Ocorre que alguns sufocam esse pendor natural, voltados que estão para coisas aparentemente mais importantes, mais "sérias" e que, na verdade, quando submetidas a uma análise lógica mínima, se revelam supérfluas, triviais, fantasiosas e absolutamente dispensáveis. Só a arte dá dimensões divinas ao ser humano. É por seu intermédio que ele verdadeiramente se revela em toda a sua grandeza e transcendência.

Esse imenso preâmbulo, esse enorme “nariz de cera” (e aí está a vantagem de redigir um texto não-jornalístico) vem a propósito de abordar a experiência singular que tenho o privilégio de viver, há já onze anos e meio, de ser o editor do Literário, sábia criação da direção do Comunique-se, que em 2009 ganhou “casa própria” e que abre espaço diariamente a jornalistas e escritores de todo o País para que mostrem outro lado do seu talento: os jornalistas, de escritores e os escritores, de jornalistas. Ou seja, ambos, o de artistas que enxergam além da realidade e “criam” um mundo, paralelo ao real, mas que extrapola a realidade, pintado com as tintas do imaginário.

Quando fui convidado a assumir essa tarefa, de tamanha responsabilidade, assustei-me. Embora com décadas “de janela”, como editor, e uma “quilometragem” imensa em literatura, como leitor e produtor de textos (que ascendem a dezenas de milhares), cheguei a duvidar que fosse capaz de encarar tamanho desafio. Antes de responder ao convite, resolvi consultar colegas jornalistas e amigos que considero de muito bom-senso sobre se deveria, ou não, aceitar a proposta.

A tônica geral dos comentários foi esta: “Sai dessa, Pedrão! Imagina! Jornalista não sabe escrever, a não ser utilizando fórmulas preestabelecidas, preso que está aos tais manuais de redação. Além disso, está acostumado a sempre ver só o lado ruim, vicioso e corrupto da vida. Jornalistas são pessimistas por natureza. Veem catástrofes medonhas em tudo, até numa simples queda de bicicleta!”. Apesar dessas “recomendações”, decidi seguir meus instintos e encarar o desafio. E, para minha felicidade, constato que meus conselheiros estavam redondamente enganados! Generalizaram e descambaram para a burrice. Deveriam atentar para o que disse Nelson Rodrigues, ao constatar que “toda generalização é burra!”. E como é.

Editei e encaminhei para publicação, nesse período, mais de 20 mil textos. A grande maioria constituída de trabalhos excepcionais, e em praticamente todos os gêneros: crônicas, ensaios, poesias, peças teatrais, contos e até um romance inteiro, publicado em capítulos semanais. O leitor do Literário, portanto, tem o privilégio do acesso a textos de altíssima qualidade literária (basta acessar os arquivos para verificar que não exagero) e de graça. Boa parte, frise-se, obras de jornalistas!

Recebo, semanalmente, por volta de uma centena de colaborações, de todo o País, cada uma melhor do que a outra. Até o momento, um percentual baixíssimo, coisa em torno de menos de 10%, foi recusado, por “falta de qualidade literária”. Claro que alguns textos precisaram ser editados, para corrigir alguns erros – notadamente de estilo, caracterizado, principalmente, pela mistura de tratamento “tu” e “você” e alguns de concordância, de pontuação, de acentuação e de crase – antes de serem programados para publicação. Afinal, esta é a principal tarefa do editor (posto que não a única), não é mesmo?

Houve quem reclamasse das mudanças efetuadas no que escreveram, o que me deixou pasmo. Como jornalistas, essas pessoas deveriam saber que nos grandes jornais, raramente, são publicadas matérias rigorosamente como são escritas. Nas editoras, livros passam, via de regra, por profundas revisões. Se fossem divulgados exatamente como são redigidos... seria um Deus nos acuda! Tanto os redatores, quanto os editores, em pouco tempo, seriam demitidos! Os textos são submetidos, sempre, invariavelmente, a um copydesk, para se adequarem tanto ao espaço que o editor dispõe, quanto à qualidade exigida. Mas foram poucos, pouquíssimos, mínimos, os problemas dessa ordem.

Só tenho uma queixa, nesses onze anos e meio em que tenho o privilégio de ser o editor do “Literário”: a pequena quantidade de comentários nos textos postados. Afinal, a melhor característica da internet é a possibilidade de se estabelecer interatividade entre autor e leitor. Mais do que isso, porém, fico furioso, possesso até, quando algum participante desse espaço é tratado de forma desrespeitosa. Quem tem acesso a essas obras deveria, isto sim, se conscientizar do privilégio que tem. Afinal, recebe, absolutamente de graça, produções de alta qualidade que, de outra forma, teria que pagar (e muito) para poder ler.

A grande maioria dos participantes é de escritores consagrados e, simultaneamente, jornalistas vencedores. São pessoas que, generosamente, “doam” a quem quiser o fruto do seu talento. O mínimo que merecem, portanto, é respeito. Claro que críticas bem fundamentadas e comentários educados são sempre bem-vindos. Servem como balizadores, como referenciais, como parâmetros para os autores. Fico frustradíssimo quando algum texto meu passa em “brancas nuvens”. Minha decepção, porém, é maior, muitíssimo maior quando os dos nossos ilustres colunistas, e dos nossos generosos colaboradores, não são comentados.

Noam Chomsky constatou, em um artigo publicado há algum tempo nos Estados Unidos, que “um grande escritor ou pensador pode modificar o caráter da língua e enriquecer seus meios de expressão sem afetar a estrutura gramatical”. É isso que aqueles que dão vida ao Literário fazem. Ou seja, modificam (para melhor, claro) o caráter do idioma e enriquecem os meios de expressão com o seu talento, sua inteligência, sua percepção e, sobretudo, sua generosidade. Por isso, merecem todo o nosso prestígio e nossa total consideração, se não nossa comovida gratidão!

Boa leitura!


O Editor.

Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
O que os pobres comem

*Por Urariano Mota

As notícias desta semana atualizaram uma fala do prefeito de São Paulo, que em vídeo de 2011 gritou: “Pobre não tem hábito alimentar”. Essa frase lapidar de João Doria esteve de volta quando ele anunciou a distribuição da farinata – mistura de fascio e lixo de comida - como ajuda alimentar para os pobres e crianças em creches. 


No vídeo, o então apresentador Doria repreendeu um candidato que havia apresentado um programa que incluía hábitos alimentares da gente do povo. E gritou, o burguês Doria, cheio de ciência e autoridade:
- Hábitos alimentares?! Você acha que gente humilde, pobre, miserável, lá vai ter hábito alimentar? Se ele se alimentar, ele tem que dizer graças a Deus. O pobre tem fome, não tem hábito alimentar. Por que essa insistência em um tema como esse?

Ontem, soubemos que o prefeito desistiu de incluir na merenda das escolas da rede municipal de São Paulo a ração maravilhosa. Mas ele continua com a farinata para os pobres adultos, que será distribuída pela assistência social da prefeitura. Então, anoto brevíssimas observações para essa caridade típica do burguês.

Primeiro, não é demais ensinar ao senhor prefeito que pobres são pessoas, são gente. Se o miserável burgomestre de São Paulo não sabe, vou lhe deixar aqui duas ou três coisas, do alto da minha experiência de pobre, que em dias mais sombrios também passou fome. Saiba, prefeito, que é uma experiência universal: as pessoas, por mais carentes, adaptam ou adotam um caminho de vida humana em meio à penúria. Assim, em todo Nordeste brasileiro, do sertão ao litoral, as pessoas de todas as classes gostam de comer cuscuz, arroz e feijão. Isso é um hábito, pré-feito, isso é um gosto, uma escolha, um instinto de nacionalidade que vai de geração a geração. Entre os pobres, até mesmo entre os mais miseráveis, existe o hábito de comer carne, ou algo que pareça ou lembre carne, quando nada vezes nada se possui para comer.

Saiba, perdido feito, que eu já vi família de quem era vizinho comer pés e cabeças de galinha, cozidos em um caldeirão. Quero dizer, comer aquilo não era bem uma opção, mas uma resistência do hábito de se comer carne no almoço. Isto agora é cultura, burromestre, aprenda: uma mãe pode fritar um só ovo para quatro filhos, ou pegar meio quilo de carne de terceira, cheia de pelancas e osso, e servi-la para numerosa família. De pedacinho em pedacinho, de taquinho em taquinho de carne. Ou até mesmo – no extremo – sem ter nada vezes nada, uma senhora mãe pode pegar ervas no mato e fervê-las para servir em farofa. Nesse limite, ervas com farinha – não farinata, mas farinha de mandioca – essas pessoas lembram o hábito alimentar de comer carne, feijão, arroz. Que passa então a ser sonhado para melhor oportunidade.

Um exemplo, que talvez o magnífico burromestre entenda: um homem pode viver sozinho, sem mulher, mas isso não quer dizer que ele tenha se acostumado a não ter o calor do sexo. Ou que ele tenha se transformado em uma nova categoria de marciano. Então, tente compreender num máximo esforço, pré-histórico Doria: pobres também são pessoas que têm hábitos seculares, que estão inscritos no seu DNA antes que tenham consciência. Quero dizer: o hábito é um modo de ser, quando não, uma marca inescapável de identidade. Os pobres vivem e se adaptam como podem, mas têm sua identidade, seus hábitos alimentares, e o miserável burromestre não sabe.

E atenção, olhem só até onde poderemos cair. A proposta da farinata – fascistada - levada adiante por Doria já foi aprovada este ano na Câmara dos Deputados e agora tramita no Senado. Ou seja: a ração para os pobres ameaça se tornar uma lei nacional de combate à fome. Amigos, saibam que depois da legalização do trabalho escravo, poderemos ter ração de lixo em farinha para os miseráveis do Brasil. O Estado a que chegamos supera os mais inverossímeis pesadelos.

Daí que não será indevida a grande antecipação de Swift, que piedoso já havia notado a terrível condição dos miseráveis que não têm o que comer:

“É motivo de melancolia para aqueles que passeiam por esta grande cidade, ou que viajam pelo campo, verem nas ruas, nas estradas, e às portas das barracas, uma multidão de pedintes do sexo feminino, seguidas por três, quatro, ou seis crianças, todas em farrapos, a importunarem cada passante pedindo esmola”.

E num ato de gênio criou em 1729 a farinata de Doria:

“Foi-me garantido por um muito sábio americano, que uma criança jovem e saudável, bem alimentada, com um ano de idade, é do mais delicioso, o alimento mais nutriente e completo – seja estufada, grelhada, assada, ou cozida. E não tenho qualquer dúvida de que poderá igualmente ser servida de fricassé ou num ragu... Uma criança dará duas doses numa festa de amigos; e se for a família a jantar sozinha, os quartos da frente, ou de trás, proporcionarão um prato razoável. Se temperada com um pouco de sal ou pimenta e cozida, estará ainda bem conservada no quarto dia, especialmente no Inverno.

Concedo que esta comida venha a ser de certo modo cara e, portanto, estará muito adequada aos senhorios – e dado que estes já devoraram a maior parte dos pais, poderão ter direito de preferência sobre os filhos. A carne dos bebés estará dentro do prazo o ano todo, mas será mais abundante um pouco antes, e depois, de março”.

Ao fim, penso que em lugar do título “O que os pobres comem”, mais próprio seria ter escrito:

O que come os pobres

A resposta é simples: todo carnívoro de classe come os pobres. Gente à semelhança de porco feito Geddel, Blairo Maggi. Gente feito vampiro à semelhança de Michel Temer. Gente feito os parlamentares vendidos na Câmara e no Senado. Todo capital assim representado, todo capitalista come os pobres. Swift já dizia.



* Escritor, jornalista, colaborador do Observatório da Imprensa, membro da redação de La Insignia, na Espanha. Publicou o romance “Os Corações Futuristas”, cuja paisagem é a ditadura Médici, “Soledad no Recife”, “O filho renegado de Deus”, “Dicionário amoroso de Recife” e “A mais longa juventude”. Tem inédito “O Caso Dom Vital”, uma sátira ao ensino em colégios brasileiros



Mimado


* Por Eduardo Oliveira Freire


Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo/São crianças como você/O que você vai ser/ Quando você crescer”( Pais e Filhos de Renato Russo)

- Filho, judô é tão legal.

- Mas quero dança!

- Para de besteira, menino!

- Pai, você é muito mimado!

O homem se olha no espelho da sala e se vê pequeno outra vez, querendo praticar judô e seu pai lhe obrigava a ser jogador de futebol. Disse a mesma coisa para o pai:

 - É muito mimado!


* Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural e aspirante a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/


Uma despedida

* Por Algernon Charles Swinburne

Vamos, canções, ela não ouviria
Sigamos sem temor por nossa via.
Silêncio, o tempo de cantar passou,
Passou já tudo o que se quis um dia.
Ela não quer o amor que nos marcou.
Fôssemos a voz de um anjo em melodia
E ela não ouviria.
Vamos partir. Ela não saberia.
Vamos ao mar, como é da ventania,
Soprando areia, espuma, que fazer?
Nada a fazer, que a vida é mesmo fria,
E o mundo é lágrimas e é padecer.
Mostrássemos a dor que em nós havia
E ela não saberia.
Para casa! Ela não sofreria.
Demos de amor, sonhos demais, e dias
E flores mortas, frutos condenados,
Dizendo:”Ceifa, como `a fantasia”
E nada resta: foi tudo ceifado.
Visse em nós, que plantamos, a agonia,
E ela não sofreria.
Ao descanso! Ela não nos amaria
Nem vai ouvir a nossa litania
Nem ver que amar caminha em dor, no mundo.
Vamos daqui, cessemos a porfia.
O amor é mar amargo, hostil, profundo;
Pudesse o céu dar flores- sim, daria,
E ela não amaria.
Desistamos! Ela nem cuidaria.
Dourasse a estrela os mares que alumia,
Dourasse o mar a vaga que estremece
E a flor da lua a flor da espuma espia,
E as ondas todas sobre nós trouxesse,
Lábios cerrasse, a mão deixasse fria,
E ela nem cuidaria
Vamos canções, ela não nos veria.
Uma vez mais, cantemos, todavia.
Talvez ela relembre o que dissemos
E queira ainda ouvir nossa elegia,
Mas nós, nós já partimos. Nem viemos!
Quem vê sabe da dor que me agonia,
Mas ela não veria.

Tradução: Jorge Wanderley


* Poeta, dramaturgo, romancista e crítico inglês.


Primaverando

* Por Marleuza Machado


Dos poros,
exalam suaves aromas.
Minha alma já se vestiu de flores.
Careço,
ainda sentir,
as brandas gotas da chuva,
o leve pousar das borboletas,
o encantamento pelas cores...
E assim,
quem sabe,
também me cobrir de amores.



* Poetisa e jornalista.